Por: Lara Castelo Branco.
O Poder Virtual - Dentro do contexto histórico, é possível dizer que a internet é um meio seguro de informação?
Professor Israel Batista - Como toda nova tecnologia, a Internet passa por um processo de afirmação até ser aceita socialmente como um meio seguro. Por exemplo, alguns documentos não tinham valor se gerados a partir da Internet. Hoje, com a certificação eletrônica e outros meios de validação é possível autenticar com extremo rigor. A doutrina jurídica já passou a aceitar certidões geradas pela Internet e até mesmo registros por email, como prova. Do ponto de vista da comunicação, caminha-se para um entendimento de que o emissor garante certa legitimidade à informação. Da mesma forma que acontece com o suporte impresso, por exemplo. Uma notícia de um jornal impresso pode ser tão crível quanto sua versão online, guardada as diferenças do processo de confecção que podem gerar mais ou menos erros. Mas uma notícia do jornal O Globo, por exemplo, em sua versão impressa e online, goza de maior privilégio de segurança do que qualquer notícia impressa de um pasquim apócrifo. O preto no branco não é mais garantia, em si, de autenticidade. Lembremos que a Internet é um suporte multimídia que abarca centenas de aplicações. Algumas delas já estão em elevado grau de segurança enquanto outras engatinham nesse processo, que não é uniforme para todo o conjunto.
O Poder Virtual - O senhor, como candidato, fez uso da internet como meio de informação aos seus eleitores? Quais mecanismos da internet utilizou, Orkut, facebook, twitter... e por que escolheu a internet como meio de divulgação de campanha?
Professor Israel Batista - A minha campanha foi feita principalmente a partir da Internet e das redes sociais. Tributo ao novo tempo das comunicações os louros da minha vitória nas urnas. Certamente, há oito anos, não teríamos a menor chance de comunicar com tanta eficiência e com poucos recursos financeiros. Utilizamos todas as redes sociais, até mesmo as menos populares no Brasil, como o Facebook, com 904 seguidores. Meu canal de vídeos no YouTube alcançou 120 mil visualizações. Temos 2108 amigos no Twitter e quatro perfis de Orkut, com cerca de 3200 mil amigos no total. A Internet foi o principal meio de comunicação por duas razões. Primeiro, o baixo custo da tecnologia ao lado de uma baixa verba de campanha. Essas duas realidades fizeram um casamento perfeito. Em segundo lugar, o público - que já me conhece como professor e todos que já votaram em mim na campanha de 2006 - está 100% plugado! Esta é uma realidade muito favorável que fez com que os meios de Internet fossem otimizados na minha campanha. O jovem - dos cursos preparatórios - tem acesso à Internet em casa ou em Cybercafés. Isso potencializou os resultados dessa escolha na campanha. O meu Twitter servia como instrumento de mobilização e de retorno das ações em tempo real. Isso reduziu drasticamente os nossos custos com materiais impressos e com pesquisas. Creio que essa plataforma, que foi o diferencial na minha campanha e contribuiu com a maior parte da estratégia de comunicação, será decisiva nas eleições presidenciais de 2014 no Brasil, com uma prévia nas eleições municipais de 2012.
O Poder Virtual - Na visão de cientista político, qual a influência que a internet exerce no processo eleitoral do Brasil? Essa influência é positiva ou negativa?
Professor Israel Batista - A internet é uma nova plataforma de comunicação para as eleições brasileiras. A mídia televisiva é ainda a vedete nas eleições presidenciais e o material gráfico o maior suporte de comunicação para as eleições municipais. A influência na Internet é maior no publico mais jovem que representa 42,35% dos eleitores até 34 anos. De 135.804.433 de eleitores 57.519.004 têm entre 16 e 34 anos, segundo dados do TSE (veja tabela no final)
O recorte etário certamente não é coincidente com o perfil da inclusão digital dos eleitores, mas aponta algumas pistas de um público que é mais permeável a estratégias que utilizem novas tecnologias.
Um exagero que houve no período pré-eleitoral foi a teoria de que as eleições brasileiras de 2010 sofreriam o efeito Obama. Na prática, demonstrou-se que a euforia dos consultores políticos foi maior do que a realidade. O grau de inclusão digital e de participação dos jovens com a política não é o mesmo do que o vivido nas eleições presidenciais dos EEUU.
Creio ser a Internet uma poderosa plataforma de discussão e de debates, o que não era possibilitado pelos meios tradicionais. Durante a campanha, quando dizia que estava fazendo uma campanha na Ceilândia em uma quadra específica recebi um twett de uma aluna que morava na casa em frente! Ela atravessou a rua e foi até a reunião! Isso é prova de que a tecnologia pode servir para aproximar as pessoas. O Formspring servia para receber perguntas das mais exóticas possíveis! Não sei como isso era feito antes desse canal. Um político veterano me disse que o bolso era o repositório das extravagâncias da campanha e dos bilhetes inusitados. Parece que a plataforma mudou...


2 comentários:
Muito sagaz o deputado eleito Israel Batista, ao contrário de outros soube utilizar a Internet a seu favor,a exemplo do presideciável Plínio Arruda Sampaio que conquistou vários seguidores no twitter, além de se destacar nos debates televisivos sua intenção era debater propostas, sempre acompanhadas de comentários precisos "verdadeiras alfinetadas".
Obs: Que país é esse o "EEUU"?
Não só sagaz como maravilhoso! lindo! e tao novinho!!! Boa Sorte!!!!
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