Nunca antes neste país a febre das redes sociais havia atingido em cheio o resultado das eleições. A influência da internet nas discussões e formação dos cenários político-partidários acontece há alguns anos, mas parece ter chegado ao auge nesta disputa e, bom para uns e ruim para outros, veio para ficar.
A própria campanha da candidata Dilma Rousseff, do PT, admite que o boca a boca dos internautas mobilizou o levante da onda verde de Marina Silva, candidata do PV. Onda essa que, quebrando na última hora, desequilibrou e levou ao chão a pretensão petista de conquistar a Presidência no primeiro turno.
Mauricio Moraes, editor-chefe da revista INFO, publicou em seu blog que uma ferramenta do Google, destinada a contabilizar quantas vezes um termo é procurado no famoso sistema de buscas, apontava que Marina Silva havia despertado a curiosidade dos internautas após o debate realizado pela TV Globo, em 30 de setembro, três dias antes das eleições.
Segundo Moraes, pode-se deduzir que os principais e tradicionais institutos de pesquisa brasileiros ignoraram o poder desse interesse pela candidata do PV: "Essa tendência não foi detectada pelos principais institutos de pesquisa. Ibope, Datafolha e Vox Populi indicaram, até mesmo nas pesquisas de boca de urna, que Dilma Rousseff (PT) estava perto de vencer no primeiro turno".
O Google registrou o crescimento de mais de 1.000% no número de buscas relacionadas ao nome e número de Marina nesse mesmo período. E as pesquisas eleitorais tradicionais, que contabilizavam em média 13% de votos para Marina, tiveram sua credibilidade abalada quando a candidata chegou a quase 20% nas urnas.
No Twitter, uma rede social em que os usuários podem publicar textos de até 140 caracteres, recebendo e enviando comentários para quem quiser, a transmissão de informações é extremamente veloz, sejam elas fofocas sobre celebridades ou o acompanhamento de debates eleitorais. Enquanto os candidatos estavam ao vivo na TV, milhares de usuários opinavam sobre suas propostas.
E Marina parece mesmo estar mais "enturmada" e atenta ao poder da internet: já lançou, em sua conta de Twitter, a consulta sobre quem deve apoiar no 2º turno: "E, como eu dizia que segundo turno se discute no segundo turno, está aberta a temporada de discussão. Mande suas sugestões", publicou ela no último dia 7. Também nesse dia a Folha Online publicou o relatório da empresa ComSocre, que aponta quase 9 milhões de pessoas acima de 15 anos acessando o Twitter.
Se levar a sério as respostas e se nortear por elas, Marina inaugura uma nova era na história das eleições brasileiras: aquela em que montar em jegue e beijar criança têm efeito nulo caso o candidato não saiba manusear um mouse e "tuitar".
Fonte: http://jornalcidade.uol.com.br/rioclaro/dia-a-dia/
editorial/67083-Eleicoes-na-onda-da-internet
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